Inverno - Alta temporada de Alergias

Frio, ar seco, poluição, e tendência das pessoas permanecerem em locais fechados incluenciam em gripes, resfriados, viroses e alergias.

Não apenas o frio, mas fatores complementares fazem do inverno a altíssima temporada das alergias respiratórias – sobretudo, a rinite a asma. O ar seco, a tendência das pessoas em permanecer em locais fechados, a poluição ambiental típica desta época do no, a incidência maior de gripes e resfriados, viroses desencadeantes das alergias estão entre esses fatores – bem como a retirada de malhas e casacos cheios de ácaros dos armários. Nesta matéria, especialistas dão dicas de prevenção, controle e tratamento de alergias que são faces de uma mesma moeda: a rinite alérgica é um importante fator de risco para a asma, uma vez que cerca de 80% dos pacientes asmáticos sofrem também de rinite alérgica e as pessoas que têm rinite alérgica apresentam três vezes mais chances de desenvolver asma.

Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) mostram que cerca de 350 mil brasileiros asmáticos são internados anualmente no país, o que coloca a asma entre as principais causas de hospitalização entre nós. Um número ainda mais alarmante: seis pessoas morrem por dia no Brasil, vítimas da asma – por falta de tratamento preventivo ou oferecido no tempo certo. Crianças e idosos são as principais vítimas da doença. Mas a rinite, que não tem a mesma gravidade, também pode ser uma doença incapacitante, na medida em que uma pessoa em crise não consegue dormir e tem grande desconforto respiratório. Além disso, a obstrução nasal crônica em crianças pode levar a sérios problemas ortodônticos, com crescimento inadequado dos ossos da face. Na verdade, asma e rinite são doenças alérgicas crônicas, mas ambas podem ser controladas com um tratamento adequado e com o controle dos fatores externos que podem desencadear as crises – muito mais graves no caso das asma. O Dr. Fábio Morato Castro, professor associado da disciplina de Imunologia Clínica e Alergias da Faculdade de Medicina da USP e autor do livro Rinite Alérgica, ressalta a proximidade dessas duas doenças, que têm praticamente as mesmas causas e fatores desencadeadores. Ele destaca que ambas são produto da interação entre genética e meio ambiente. Segundo ele, o peso dos fatores genéticos é de apenas 30% se uma criança afetada não tem pais alérgicos – mas sobe para 70% se ambos os pais têm rinite ou asma. Os médicos definem asma e rinite como doenças da via aérea única, isto é, o tratamento simultâneo da asma e rinite tem sido defendido como a estratégia ideal para prevenir as inflamações que começam no nariz, passando pela faringe, laringe, traqueia, seguindo até os brônquios. E essa ligação é fácil de explicar: o nariz tem a função de filtrar, aquecer e umidificar o ar que respiramos e que vai direto para o pulmão. Se esse ciclo for prejudicado pela rinite, o oxigênio segue impuro para os pulmões, agravando o quadro de asma. Mas antes de se falar em tratamento, deve-se reforçar a importância da prevenção.

TIRANDO OS FANTASMAS DO ARMÁRIO

Primeiro, o controle ambiental. Poucas doenças – talvez nenhuma outra – são tão sensíveis ao ambiente quanto as alergias respiratórias. A sensibilidade ao ácaro – o micro-organismo que infesta o pó doméstico – é o principal fator alergênico e o inimigo a ser combatido, dentro de casa. “Passamos até 98% do tempo, no inverno, em ambientes fechados. E 40% dentro do quarto. Esse deve ser o alvo principal do controle ambiental”, resume o Dr. Fábio. E não existe melhor estratégia de combate ao ácaro do que uma limpeza em regra de armários e de roupas de frio – antes de vesti-las para enfrentar o frio. Como isso geralmente não ocorre, o mais comum é que as pessoas, ao menor sinal de frio, já peguem o primeiro pulôver do armário e vão vestindo. Pessoas que já tiveram crises de rinite ou asma já são mais ou menos prevenidas contra esse erro – mas sempre há uma primeira crise. A recomendação é simples e vital: antes de vesti-las pela primeira vez neste inverno, as roupas de frio devem ser espanadas e arejadas. A higiene permanente do quarto, sobretudo durante os dias mais frios, é outra medida essencial para evitar as crises – e asmáticos crônicos já sabem disso. “Não é preciso fazer um mini-hospital dentro do quarto”, pondera o Dr. Fábio. “Mas é possível fazer um bom controle ambiental das alergias com aspiradores com filtro e protetores para travesseiros e colchas”. Ela destaca que existem até firmas especializadas nesse tipo de limpeza, que fazem a “desacarização” dos ambientes internos.

FÉRIAS SEM DOENÇA

Em julho, principalmente na região sul do país, as crianças passam as férias de inverno mais dentro de casa do que ao ar livre – o que também aumenta o risco de alergias e preocupa os especialistas. “Nas férias, é importante que as crianças brinquem em ambiente saudável, de preferência ao ar livre, com liberdade”, sugere o Dr. Bernardo Kiertsman, diretor da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia e Chefe do Serviço de Pneumologia Pediátrica da Santa Casa de São Paulo. Ele reforça a necessidade da “dessensibilização” da casa contra fatores alergênicos. Segundo o Dr. Bernardo, não só o quarto das crianças mais sensíveis mas também os demais ambientes da casa devem ser bem arejados, sem carpetes ou tapetes, com móveis não estofados, e cortinas laminadas ou painéis plastificados, facilmente laváveis. Prateleiras devem ser sempre muito bem limpas e os armários e estantes protegidos da poeira. Não se deve usar espanador ou vassoura. Locais atingidos por mofo devem ser tratados com uma solução de ácido fênico a 5%, borrifado, uma ou duas vezes ao mês. Ainda de acordo com o dr. Bernardo, é necessário evitar ursos de pelúcia e aqueles “cobertorzinhos” pendurados na chupeta; pois eles funcionam como coletores de pó. Outra medida preventiva da asma: “A pratica de esportes é muito importante no desenvolvimento da criança, ajuda a fortalecer os músculos do diafragma e a melhorar a respiração, mas para praticar exercícios físicos, a asma deve estar controlada”

LIMPANDO O NARIZ

Se a rinite é o problema, uma limpeza nasal preventiva também reduz o risco de crises. O Dr. Fábio recomenda uma higiene moderada com soro fisiológico, sem exageros, para não retirar as defesas naturais do organismo. Produtos à base de gel também podem ser úteis para lubrificar as fossas nasais, sobretudo em pessoas que costumeiramente têm crises de rinite nesta época do ano.

COMBATENDO A ASMA

A Dra Iara Nely Fiks, doutora em pneumologia pela Faculdade de Medicina da USP, membro da Sociedade Paulista de Medicina e membro da Sociedade Brasileira de Pneumologia, autora do livro Asma – Superando mitos e medos, destaca a importância de um tratamento conjunto das duas doenças. É claro que o controle ambiental, medicamentos antialérgicos, corticoides tópicos nasais fazem parte da terapia sintomática – mas, para realmente controlar a doença, será preciso utilizar uma estratégia mais duradoura, tratando-se asma e rinite simultaneamente. E, segundo a Dra. Iara, já é possível tratar asma e rinite alérgica simultaneamente com uma classe de medicamentos chamados antileucotrienos. "Os antileucotrienos são capazes de inibir a reação inflamatória da asma, diminuindo bastante os efeitos colaterais do tratamento. Além disso, são os únicos anti-inflamatórios das vias aéreas que não possuem cortisona.", afirma a pneumologista. Enquanto os broncodilatadores usados nas bombinhas ou inaladores são utilizados para aliviar os sintomas durante uma crise de asma, os antileucotrienos servem como medicação anti-inflamatória para controle da doença no longo prazo.

Asma

Dúvidas mais frequentes
Como eu sei se tenho asma?
Se uma pessoa tem episódios repetidos de aperto no peito, tosse, chiado e falta de ar principalmente durante a noite, ela tem asma. O diagnóstico é ainda mais serguro se os sintomas são aliviados após o uso de broncodilatadores. Quadros severos, com crises frequentes, têm diagnóstico mais fácil.
Como sei que a asma está sob controle?
O controle da asma pode ser feito através dos sintomas. Pode também ser medido com o monitor de pico de fluxo.
A asma está bem controlada quando o paciente:
• não apresenta sintomas durante o dia, realizando as atividades que deseja, principalmente as que exigem esforço físico
• não tem o sono interrompido pelos sintomas da asma
• não precisa usar medicamentos de alívio
• tem pico de fluxo normal ou maior que 80% do esperado.