Indústria farmacêutica deve superar interesses econômicos

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, neste sábado (29), com a presidenta do Malauí, Joyce Banda, e o diretor executivo da UNAIDS, Michel Sidibé, de um debate da comissão UNAIDS/Lancet em Lilongwe, Malauí.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, neste sábado (29), com a presidenta do Malauí, Joyce Banda, e o diretor executivo da UNAIDS, Michel Sidibé, de um debate da comissão UNAIDS/Lancet em Lilongwe, Malauí. O objetivo do encontro foi discutir as metas para combate do HIV/AIDS dentro das metas sociais a serem estabelecidas pelas Nações Unidas após as Metas do Milênios, que vão até 2015. Participaram ministros de saúde, cientistas representantes de ONGs e do setor privado.



Lula fala em debate da comissão UNAIDS/Lancet em Lilongwe, Malauí. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Lula falou sobre o programa brasileiro de prevenção, assistência e tratamento gratuito para soropositivos e sobre a importância de se aliar a luta contra a AIDS com a luta contra a pobreza, especialmente na África.

“Atualmente é sobre os mais pobres que o HIV incide mais violentamente. É fundamental levar aos mais pobres os frutos do avanço científico, o tratamento e os remédios. Para vencer a AIDS é necessário também superar a pobreza onde o vírus se espalha. No Brasil nos últimos 10 anos aprendemos muito sobre isso, porque nosso programa para HIV/AIDS se somou a um conjunto de políticas públicas que está nos levando a superar a pobreza e a fome.”

O Brasil investe 350 milhões de dólares ao ano no tratamento com medicamentos antirretrovirais para 313 mil pessoas. O país fabrica 11 de uma lista de 21 usados no tratamento, tendo inclusive quebrado a patente de um medicamento em 2007 para reduzir seu custo. O país também atua na prevenção, com campanhas publicitárias e a distribuição de 500 milhões de preservativos ao ano. “O acesso universal e a preço justo dos remédios são urgentes” afirmou Lula. “A produção de medicamentos não pode representar apenas interesses econômicos, mas também humanitários. A indústria farmacêutica privilegia o investimento em marketing e a produção destinada a mercados de países desenvolvidos, em detrimento de pesquisas dirigidas a controlar ou erradicar epidemias e doenças da pobreza. ”

Na África, o Brasil inaugurou em 2012 uma fábrica de medicamentos antirretrovirais em Moçambique. O ex-presidente ressaltou a importância da transferência de tecnologia e da produção de medicamentos pelos países em desenvolvimento para a ampliação do acesso ao tratamento.

Segundo a UNAIDS, entre 2001 e 2011 o Maláui reduziu em 72% o número de novos casos de HIV/AIDS, o melhor resultado entre os países africanos. Com apoio de doadores, o Maláui oferece tratamento gratuito com antirretrovirais a mais de meio milhão de soropositivos, bem como a todas as mulheres grávidas ou em fase de amamentação portadoras do HIV. Estima-se que a prevalência de HIV tenha-se reduzido de 14% para 10,2% nos últimos anos. Os chefes de estado africanos elegeram a Presidenta Joyce Banda como a “campeã” do continente no combate à doença.

Lula propôs 3 desafios para o futuro do enfrentamento da doença. “Primeiro o compromisso político dos governos em liderar em cada país com investimento em prevenção e tratamento; o segundo o compromisso moral dos governantes, principalmente dos países mais ricos, em superar as barreiras do mercado mundial para a produção e acesso aos medicamentos; e o terceiro o compromisso de aliar a luta contra a AIDS com a luta contra a miséria onde quer que ela aconteça.”

Fonte: Instituto Lula